O escritório da mansão, após a descoberta, se transforma em um bunker de guerra. O diário físico de Beatriz repousa sobre a mesa de Dante, ao lado do pen drive preto. São objetos sagrados e profanos ao mesmo tempo. O áudio da voz dela ainda ecoa nas paredes, um fantasma de clareza aterrorizante.
Minha tarefa é técnica, cirúrgica: isolar, copiar e proteger. Crio três pacotes digitais criptografados. Um para a Polícia Federal, endereçado a um delegado específico que Leandro garantiu ser “limpo”. Outro para Ricardo, o jornalista e o terceiro, nossa cópia de fuga, vai para um serviço de nuvem anônimo, com acesso programado para se liberar caso nossos dispositivos biométricos parem de funcionar por 72 horas consecutivas. É um testamento digital.
Dante fica com a tarefa mais dolorosa: ouvir o resto dos arquivos de áudio. Beatriz, em sua meticulosidade, não fez apenas uma gravação, fez várias, pequenos registros, como se estivesse praticando, construindo coragem, ou documentando descobertas