O som do silêncio na mansão é diferente. Não é a falta de barulho, mas a absorção de todos os ruídos pelos tapetes grossos, pelas paredes altas, pelo vazio de uma casa feita para impressão, não para vida. Meu primeiro despertar aqui é confuso. Por segundos, não sei onde estou. A luz filtrada pelas persianas de um cinza-claro cai sobre um teto que não é o meu, sobre móveis que não reconheço. Então, a memória retorna, pesada e completa: o contrato, a assinatura, o sol amarelo no desenho de Melissa.
Me levanto. O quarto é imenso. Caminho até a janela. O jardim lá embaixo é uma obra de arte geométrica e estéril. Nada balança. Nada cresce fora do lugar. É a tradução perfeita do mundo de Dante Lobo: controle absoluto.
Uma batida suave na porta me arranca do devaneio. É Dona Alzira, com uma bandeja de café da manhã.
— Bom dia, senhora. O senhor Lobo aguarda no escritório para alinhar a agenda da semana.
— Obrigada, Alzira. E minha irmã?
— A senhorita Lara já está na sala de sol, tomando seu