No dia do aniversário, toda a mansão da família Vinícius estava iluminada, resplandecente.
A festa que preparei para Elena era impecável em cada detalhe — da decoração do salão às comidas e bebidas, tudo transbordava luxo e requinte.
Os convidados chegaram aos poucos, elogiando minha generosidade: diziam que era admirável eu organizar uma celebração tão grandiosa para uma órfã que estava hospedada em minha casa, e até reconhecê-la como minha irmã.
Mantive um sorriso gentil e, com naturalidade, incentivei Marcos a convidar Elena para a dança de abertura:
— Hoje, a protagonista é a Elena. É claro que a primeira dança deve ser com ela.
Chegou o momento de entregar os presentes. Diante de todos, Marcos presenteou Elena com um jardim inteiro de rosas — o maior de toda a Alcateia do Luar Celeste, um patrimônio que já havia gerado enormes lucros à sua família.
Os olhares dos convidados para Elena mudaram; todos entenderam que, para Marcos, ela não era apenas uma órfã hospedada nem uma simples irmã de consideração.
Sem dizer nada, apenas sorri levemente e entreguei-lhe a caixa que havia colocado de lado:
— Feliz aniversário!
Dentro havia uma pulseira delicada, comprada por mim em leilão a um preço alto. Não era tão impressionante quanto o presente de Marcos, mas era apropriada e sem risco de errar.
Porém, assim que Elena, radiante, abriu a caixa, uma cobra venenosa saltou para fora, avançando em sua direção.
Ela gritou e recuou, enquanto Marcos reagia com rapidez e golpeava o animal, afastando-o.
Elena levou as mãos à barriga e, com um olhar frágil e acusador, murmurou:
— Luana… Por que quis me machucar?
Marcos a tomou nos braços e me lançou um olhar gélido:
— Luana, você mesma se ofereceu para organizar a festa de Elena. Achei que finalmente tivesse amadurecido, mas tudo não passou de um plano para machucá-la! Se algo acontecer com o bebê dela, nunca vou te perdoar!
Não! Eu não fiz isso! Dentro da caixa havia uma pulseira de rubi, como poderia ter se transformado numa cobra venenosa?
Olhei para ele, atônita, tentando explicar-me, quando senti uma dor aguda na mão: a cobra, que havia sido arremessada, rastejou até mim e cravou suas presas na minha palma. Um torpor súbito tomou conta do meu corpo, e a cabeça começou a girar.
Marcos não me dirigiu um único olhar. De rosto fechado, saiu apressado levando Elena nos braços.
— Meu Deus, Luana foi mordida! Essa cobra é extremamente venenosa! — Alguém gritou.
Finalmente, as pessoas ao redor notaram a ferida na minha mão e se apressaram a me levar para o hospital.
Agora, toda a minha palma estava enegrecida, e uma enfermeira, aflita, sussurrou ao meu lado:
— O Sr. Marcos chamou todos os médicos do hospital para atender a Sra. Elena. No momento, não há nenhum médico disponível para tratar você.
Deitada, indefesa, senti as lágrimas escorrerem pelo canto dos olhos e se perderem no branco do lençol.
Ele estava tão preocupado com Elena que nem percebeu que eu havia sido mordida.
No passado, mesmo que eu tivesse apenas um arranhão, ele se desesperava e me levava ao hospital para fazer um exame completo.
E agora?
Toda a atenção dele estava voltada para Elena. Apenas por causa do susto que ela levara, ele mobilizou todos os médicos para cuidar exclusivamente dela.
Minha cabeça foi ficando cada vez mais pesada, até que mergulhei numa escuridão profunda.
Quando voltei a abrir os olhos, dois dias haviam se passado.
Peguei o celular: a tela estava limpa, sem uma única mensagem de Marcos.
Antes, se eu desaparecesse por menos de duas horas, ele me ligaria inúmeras vezes.
Agora, mesmo após dois dias em coma, ele não me procurara nem uma vez.
Respirei fundo e coloquei o celular de lado com cuidado.
Não importava mais. Amanhã, nosso vínculo de companheiros seria dissolvido, e eu deixaria para sempre a Alcateia do Luar Celeste — e Marcos — sem nunca mais olhar para trás.