Depois de renascer, não impedi mais meu companheiro de trazer para casa a amiguinha de infância grávida para cuidar dela; pelo contrário, tomei a iniciativa de romper o vínculo de companheiros com Marcos Vinícius e cedi ao seu favoritismo por Elena. Fui eu mesma quem planejou cada momento a sós entre eles, enquanto me afastava em silêncio. Tudo isso porque, na vida passada, no momento da minha morte, Marcos ainda guardava rancor por eu ter me recusado a deixar que sua amiga de infância viesse morar conosco para cuidar da gravidez. No caminho de volta, ela perdeu o bebê e ficou estéril para sempre. Ele me disse que, depois que eu morresse, ficaria com Elena e cuidaria dela para compensar o dano que lhe causara. Por isso, nesta vida, não me opus; escolhi partir para realizar o que fora, para eles, uma falta não resolvida... Mas por que, então, quando finalmente os deixei, Marcos enlouqueceu, procurando-me pelo mundo inteiro e implorando para que eu voltasse?
Leer másEu e Ronan continuamos viajando juntos, conhecendo inúmeros lugares.Dois anos depois, chegamos à Alcateia do Luar Celeste e, mais uma vez, nos deparamos com Marcos.Desta vez, ele parecia extremamente abatido, sem qualquer vestígio da imponência de antes.Ao me ver, não demonstrou a excitação de outrora; limitou-se a cumprimentar-me de forma suave:— Luana, há quanto tempo… Este é…Ele olhou para Ronan, abriu a boca e tornou a fechá-la, incapaz de concluir a pergunta.Segurei a mão de Ronan com naturalidade e, erguendo-a, mostrei-lhe nossas alianças de companheiros.— Este é meu companheiro, Ronan.Virei-me para Ronan e acrescentei, em tom de apresentação:— Este é Marcos, Alfa da Alcateia do Luar Celeste.Mas o brilho nos olhos de Marcos se apagou de imediato. Com a voz seca, interrompeu:— Não… Já não sou mais o Alfa.Então soube que ele havia cedido o direito de sucessão ao irmão e agora vagava sozinho pelo mundo.Assenti levemente, sem demonstrar qualquer interesse. Já ia puxar Ro
Viajamos por diversos lugares de paisagens deslumbrantes, e Ronan mostrou-se um guia excelente.Descobri prazeres que nunca havia experimentado antes, e nossa jornada juntos se tornava cada vez mais doce e alegre.No caminho para outro ponto turístico, avistei, na entrada do aeroporto, um homem com a aparência abatida de um lobo errante.No instante em que me viu, seus olhos se encheram de lágrimas.— Luana, procurei por você por tanto tempo… Finalmente te encontrei! — A voz estava rouca, o tom seco, e o cansaço estampado no olhar era impossível de esconder.Franzi levemente o cenho; por um momento, não consegui reconhecer quem era.— Marcos? O que você está fazendo aqui?Eu estava surpresa. Durante todos esses dias, viajei sem parar, nunca ficando muito tempo no mesmo lugar, e ainda assim Marcos conseguiu me encontrar.— Luana… Luana! — Ele chamou meu nome várias vezes, com os olhos vermelhos, mas continuei empurrando a mala sem interromper o passo, sem lhe dar qualquer resposta.Dete
Depois de se livrar de Elena, Marcos permaneceu parado na sala, com o olhar perdido e o rosto tomado por confusão.Ele não tinha a menor ideia de onde poderia me encontrar.Eu era órfã, sem pais ou parentes, e ele não ousava imaginar como eu estaria vivendo depois de deixar a Alcateia do Luar Celeste.Olhou ao redor e, pela primeira vez, aquela casa lhe pareceu completamente estranha.O tapete havia sido trocado por um modelo rosa — a cor preferida de Elena.A cortina de franjas que eu tanto amava fora substituída por um tecido de voil, apenas porque Elena disse que franjas eram feias.Até a escultura de lobisomem em prata pura que eu mesma tinha feito para ele… Elena mandara derreter para transformar em todo tipo de acessórios.Sem que ele percebesse, não restava na mansão qualquer vestígio meu.Em contrapartida, o cheiro e a presença de Elena dominavam cada canto, como se ela fosse a verdadeira dona daquele lugar.Como ele nunca percebeu isso antes?Ele ainda se lembrava de sentir o
Elena cobriu o rosto, sentindo o ardor da bofetada, e olhou para Marcos, atônita.Ela não entendia como aquele Marcos, sempre tão gentil e atencioso com ela, podia, de repente, mudar de expressão e agir com tamanha violência.Então, como se uma possibilidade terrível lhe atravessasse a mente, seu semblante empalideceu de vez. "Será que… ele descobriu o que eu fiz?"E, de fato, no instante seguinte, Marcos tirou do bolso um vídeo de segurança e o mostrou diante de seus olhos.— Por que você quis prejudicar a Luana? — A voz dele era um rugido carregado de fúria. — Escondeu de propósito uma cobra venenosa dentro da caixa de presente, fez com que eu a interpretasse mal e ainda a deixou ser mordida! Elena… você é mesmo muito boa no que faz!Ele agarrou o pescoço da Elena com uma expressão feroz, e ela lutava desesperadamente, com o rosto todo vermelho de esforço e dor.Até que foi perdendo as forças, o rosto ficando roxo, Marcos a jogou no sofá como se fosse uma boneca de trapo.Elena fico
Enquanto ainda não havia encontrado o meu paradeiro, Marcos acabou, por acaso, descobrindo outra coisa.Como estava vasculhando câmeras por toda parte em busca de pistas, o dono de uma casa de leilões enviou-lhe um vídeo de segurança e, sem conter-se, comentou:— Alfa Marcos, essa sua “namoradinha” não é boa coisa, não. É esperta demais. Para se divertir, tudo bem, mas não deixe que ela te engane.Marcos franziu o cenho, incomodado:— Que bobagem está dizendo? A Elena é apenas minha irmã de consideração. Minha companheira é a Luana.O homem o olhou como se encarasse um tolo:— Toda a alcateia sabe que vocês têm algo mais. Dizer que são irmãos? Quem acreditaria? Além disso, está na cara que ela não te vê como um irmão.As palavras do dono do leilão deixaram um peso no peito de Marcos. Uma inquietação estranha o tomou.Quando abriu o vídeo, ficou imóvel.As imagens mostravam com clareza: eu, no leilão, arrematando a alto preço uma pulseira de rubi, colocando-a dentro de uma caixa de pres
O documento de dissolução do vínculo de companheiros…Marcos quase não acreditava no que via; a mão que segurava o papel tremia incontrolavelmente.Forçou-se a folhear e, logo no início, o carimbo vermelho da prefeitura saltou aos olhos.A data da solicitação… exatamente o dia em que ele havia trazido Elena para casa!Um peso sufocante tomou conta de sua visão.— Luana… você está brincando comigo? Ou está querendo me provocar? — Disse, com o rosto fechado e os dentes cerrados.Subiu as escadas com passos firmes e irados. Ao abrir a porta do quarto, porém, parou mais uma vez, atônito.Todos os meus pertences pessoais haviam desaparecido.A penteadeira estava vazia, o closet pela metade, e no banheiro não restava nenhum dos meus produtos de higiene.Por um instante, Marcos pensou estar tendo uma alucinação, mas, ao verificar repetidas vezes, foi obrigado a aceitar a realidade: Eu realmente havia dissolvido o vínculo de companheiros… e ido embora.Ele tentou revirar a memória, buscando le
Último capítulo