Antes de ir à prefeitura, mandei preparar e entregar à mansão um lote de roupas de cama e artigos de uso diário, todos escolhidos de acordo com as preferências de Elena.
Quando voltei, Marcos estava no quarto dela, tentando, de forma desajeitada, colocar a capa no colchão. Elena, sentada na cama, sorria para ele e, de vez em quando, usava o dorso da mão para enxugar o suor da testa dele.
Meus passos vacilaram por um instante, mas logo me virei e segui para o meu próprio quarto.
Marcos veio atrás de mim, interceptando-me no corredor, a voz levemente impaciente:
— Luana, Elena tem mania de limpeza e não gosta que estranhos mexam em seus pertences. Por isso precisei ajudá-la. Não tire conclusões erradas.
Senti um aperto no peito. Desde que me tornei sua companheira, era eu quem cuidava de absolutamente tudo na casa; até as roupas que ele vestiria ao sair eram separadas e preparadas por mim na noite anterior.
Mas agora, ele mesmo se oferecia para arrumar a cama de outra pessoa.
— Eu entendo, é claro. Elena ainda está grávida, e trabalhos que exigem se abaixar realmente devem ser feitos por outra pessoa. — Falei com um sorriso suave, como se fosse a mais compreensiva das esposas.
O semblante de Marcos suavizou. Ele se inclinou e depositou um beijo na minha testa.
— Desde quando você ficou tão sensata?
Pareceu lembrar-se de algo e acrescentou:
— Ah, depois de amanhã é o aniversário de Elena. Ela nunca teve uma festa de aniversário… e, desde que os pais morreram, não houve ninguém para comemorar com ela. — Ao dizer isso, suspirou levemente.
Mesmo tentando me convencer a não me importar com a atenção especial de Marcos para Elena, meu coração ainda doía. Meu aniversário também estava por chegar e, em todos os anos anteriores, Marcos sempre reservava o salão com antecedência, preparava presentes requintados e me oferecia uma festa grandiosa.
Mas, este ano, parecia que ele havia se esquecido completamente.
Ainda assim, apenas assenti e falei:
— Entendido. Eu mesma organizarei. Farei tudo de acordo com o que ela gosta.
Marcos ficou surpreso por um instante, e um brilho complexo passou por seus olhos.
Antes, nós havíamos brigado tantas vezes por causa de Elena… e agora eu me oferecia para organizar a festa dela? Ele pareceu não saber como reagir.
Abriu a boca para dizer algo, mas no fim apenas assentiu:
— Faça como achar melhor. Ela está grávida, então poupe as formalidades desnecessárias.
Engoli o amargor que subia à garganta e concordei.
Ele, com um olhar mais suave, parecia querer me acompanhar de volta ao quarto, mas eu o detive com delicadeza:
— Vá até lá e veja se Elena precisa de ajuda. Ela, sozinha, deve ter dificuldade para organizar as coisas.
Marcos franziu as sobrancelhas, contrariado:
— Você está mesmo disposta a me deixar sozinho com ela?
Antes, se ele se aproximasse de qualquer outra mulher, eu ficaria tomada pelo ciúme. Agora, apenas balancei a cabeça:
— Claro. Ela é apenas sua irmã jurada, não é? É natural que você cuide dela.
Nesta nova vida, eu não impediria mais nenhum encontro entre ele e Elena.
Ele me olhou com ternura e sorriu, satisfeito:
— Luana, você finalmente amadureceu. Elena é muito infeliz. Precisamos cuidar mais dela. Não volte a sentir ciúmes sem motivo, como antes.
Sim… eu não teria mais ciúmes dele. Eu mesma o entregaria a Elena, para que pudessem ser felizes juntos.
Nos dois dias seguintes, dediquei-me com todo o empenho aos preparativos para a festa de aniversário de Elena: desde o estilo da decoração do salão até a origem do creme usado no bolo, tudo passou pelas minhas mãos.
Até as flores usadas na ornamentação vieram da Floresta Sombria — raríssimas rosas lunares adquiridas a preço altíssimo, tornando o ambiente inteiro um espetáculo de luxo absoluto.