Capítulo 05

Jady

Eu cumpria meus afazeres como sempre, esfregando pisos, carregando bandejas pesadas, lavando louça até os dedos sangrarem, mas Orion não apareceu, nem à noite no nosso esconderijo, era como se ele tivesse sumido do castelo.

No segundo dia, procurei por ele discretamente.

— Onde está Orion? — perguntei a um dos guardas.

— Em reuniões importantes com o Alfa e o Conselho — respondeu ele seco. — Não pode ser incomodado.

Zara, minha loba, andava inquieta dentro de mim.

“Algo está errado, Jady. Muito errado. Sinto um cheiro estranho no ar.”

— Cala a boca — murmurei baixinho. — Ele deve estar ocupado com política.

Naquela tarde, recebi a ordem de preparar o grande salão para um “evento especial” que aconteceria em três dias.

Não me deram detalhes, apenas baldes, panos e a ordem para deixar tudo impecável.

Eu estava ajoelhada no chão de mármore, passando o pano pela terceira vez, quando ouvi o som de saltos altos se aproximando.

Seraphine entrou no salão como se fosse dona do mundo, com um sorriso largo e quase dançante.

Quatro lobas, suas eternas sombras, vinham logo atrás, rindo baixinho.

Quando passou por mim, ela chutou o balde com força.

A água suja se espalhou por todo o chão que eu tinha acabado de secar.

— Cadela… — murmurei, abaixando-me para pegar o balde.

Seraphine parou imediatamente e se virou.

— O que foi que você disse, sua vadia? Tenha mais respeito com a sua futura Luna!

Levantei a cabeça devagar e encarei ela.

— Ah, senhorita Seraphine… Você não se cansa desse discurso prepotente?

Ela me examinou por um segundo e abriu um sorriso ainda maior, cheio de veneno puro.

— Ainda não soube? Vou me casar com Orion, em três dias.

Eu ri, uma risada seca, incrédula.

— Você é louca… Continue tentando convencer a si mesma.

Seraphine ergueu a mão esquerda devagar.

No dedo anelar brilhava um lindo anel de ouro branco com uma lua crescente cravejada de pedras prateadas, o anel oficial das Lunas da Casa Kingsley.

O mesmo anel que eu já tinha visto na mão da mãe de Orion, o chão sumiu debaixo dos meus pés.

Meu estômago embrulhou, o ar ficou preso na garganta.

— Segurem ela — ordenou Seraphine.

Não tive tempo de reagir.

Duas lobas agarraram meus braços com força bruta, enquanto as outras duas bloqueavam qualquer tentativa de fuga.

Seraphine se aproximou devagar, saboreando cada segundo.

— Está vendo esse anel no meu dedo, vadia? — Ela levantou a mão bem na frente do meu rosto. — Foi Orion quem me deu, vamos nos casar em três dias… e você vai continuar sendo minha escrava, então aprenda a ter respeito.

Pá!

O tapa veio com as costas da mão, o anel cortou meu lábio inferior.

Senti o gosto quente e metálico do sangue na boca.

Tentei me soltar, mas eu ainda era fraca.

Zara rosnava e tentava emergir, mas as duas lobas que me seguravam eram muito mais fortes.

— Eu te disse que Órion sempre foi meu. — sibilou Seraphine, segurando meu queixo com as unhas afiadas, que furavam minha pele.

— Me soltem… agora! — rosnei, cuspindo sangue.

Seraphine soltou uma gargalhada alta e cruel.

— Só depois que eu me divertir um pouco. — Ela olhou para as outras duas lobas. — Acabem com ela, quero ensinar essa vadia a ter respeito.

Enquanto as duas continuavam me segurando, as outras começaram a me agredir.

Socos no estômago, chutes nas costelas, um tapa forte no rosto que fez minha cabeça girar.

Eu tentava me proteger, mas mal conseguia me mexer, caí de joelhos.

Elas continuaram chutando, barriga, costas, pernas, cada golpe arrancava um gemido de dor de mim. Eu me encolhi no chão frio, tentando proteger a cabeça com os braços.

A dor era lancinante, cada chute parecia quebrar algo por dentro.

— Já chega — ordenou Seraphine finalmente.

Ela se aproximou e pisou com o salto alto no meu ombro, pressionando com força.

A dor explodiu no osso.

— O seu lugar é no chão, escrava.

Ela pisou ainda mais forte.

Eu rosnei de dor, lágrimas de ódio escorrendo pelo rosto.

— Sua sorte é que hoje estou de bom humor, senão eu adoraria assistir essas quatro lobas te espancando até a morte — disse ela, rindo alto enquanto saía do salão com suas amigas.

Elas me deixaram caída no chão, machucada, sangrando pelo nariz, boca e cortes no rosto.

Meu corpo inteiro latejava, mas o que mais doía não era o corpo, era dentro.

Orion… o homem que jurou que eu seria sua Luna… ia se casar com ela.

Em três dias.

Zara uivava de dor e raiva dentro de mim.

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