Mundo de ficçãoIniciar sessãoSarah não conseguia respirar.
A dor da rejeição atravessava seu peito como uma lâmina invisível, rasgando não apenas seu coração, mas também a alma de sua loba. Ela caiu de joelhos diante de toda a alcateia. As lágrimas escorriam sem controle. Ao seu redor, ninguém ousava se mover. Os guerreiros abaixaram a cabeça em respeito. As crianças foram puxadas para perto dos pais. Até o vento pareceu parar. — Sarah... — chamou seu pai, Theodore Theyllan, Beta da Alcateia da Lua Branca, avançando em sua direção. Antes que pudesse alcançá-la, Keiran ergueu a mão. — Ninguém a toque. Todos olharam para o Alfa. Seu rosto permanecia frio, mas dentro dele uma batalha acontecia. Seu lobo, Fenrir, rugia em sua mente. "Você está cometendo um erro!" "Ela é nossa companheira!" "Sinta o cheiro dela! Não existe mentira naquele coração!" Keiran apertou os punhos. "Cale-se." "Victoria jamais mentiria." Fenrir soltou um uivo de fúria tão intenso que fez Keiran cambalear por um instante. Do outro lado do salão, Victoria observava tudo. Por dentro, comemorava. Mas por fora... Correu até Sarah com lágrimas falsas nos olhos. — Irmã! Meu Deus... eu sinto tanto... Sarah ergueu lentamente o rosto. Os olhos castanhos, antes cheios de esperança, agora estavam vazios. Quando Victoria tentou abraçá-la, Sarah recuou. Não sabia explicar o motivo. Mas alguma coisa dentro dela gritava para não confiar na própria irmã. Victoria percebeu o gesto. Sorriu por dentro. "Até ferida você ainda desconfia de mim..." "Isso torna tudo ainda mais divertido." Nesse momento, uma voz grave ecoou pelo salão. — Esta cerimônia acabou. Todos se voltaram para a entrada principal. Era Magnus Louckraw. Pai de Keiran e antigo Alfa da alcateia. Mesmo tendo passado o comando ao filho anos antes, sua presença ainda impunha respeito. Seus cabelos grisalhos contrastavam com os olhos azuis intensos. Ele caminhou lentamente até Keiran. — Tem certeza da decisão que acabou de tomar? — Tenho. — Então olhe para ela. Keiran obedeceu. Sarah ainda estava ajoelhada. Tremia de frio. Ou talvez de tristeza. Magnus respirou profundamente. — Você rejeitou sua companheira diante da Lua... sem permitir que ela se defendesse. Keiran permaneceu em silêncio. — Espero que tenha provas muito sólidas... porque, se estiver errado... Magnus aproximou-se do ouvido do filho. — A Deusa da Lua nunca perdoa um Alfa injusto. As palavras fizeram um arrepio percorrer a espinha de Keiran. Pela primeira vez... A dúvida nasceu em seu coração. No mesmo instante, Sarah tentou se levantar. Suas pernas fraquejaram. Foi então que algo inesperado aconteceu. Uma energia prateada começou a envolver seu corpo. Pequenas faíscas de luz surgiram ao redor de seus pés. Os anciãos arregalaram os olhos. A sacerdotisa levou as mãos à boca. — Isso é impossível... Uma das anciãs caiu de joelhos. — A Marca da Lua... Todos observaram, perplexos, enquanto um delicado símbolo em forma de meia-lua aparecia no pulso esquerdo de Sarah. Nunca antes alguém recebera aquela marca após uma rejeição. A sacerdotisa tremia. — A Deusa... não a abandonou. Muito pelo contrário... Ela acaba de escolhê-la para um propósito maior. Victoria empalideceu. Aquilo não fazia parte de seus planos. Keiran também ficou imóvel. Seu coração apertou de uma forma estranha. Fenrir voltou a falar. "Ainda há tempo." "Peça perdão." Mas antes que Keiran pudesse dar um único passo... Sarah levantou lentamente a cabeça. As lágrimas haviam desaparecido. No lugar da jovem doce que entrou naquele salão... Havia alguém diferente. Seus olhos brilhavam com um tom prateado jamais visto. Ela olhou diretamente para Keiran. Sem ódio. Sem amor. Sem tristeza. Apenas indiferença. — Hoje você destruiu o nosso destino, Alfa Keiran Louckraw. Sua voz ecoou firme por todo o salão. — Mas juro diante da Lua que chegará o dia em que será você quem implorará pelo perdão que hoje recusou me conceder. Um silêncio absoluto tomou conta do castelo. Nem mesmo Keiran conseguiu responder. Pela primeira vez desde que se tornara Alfa... Ele sentiu medo. E, bem no fundo de sua alma... Arrependimento.






