Dante
O Rio de Janeiro jamais adormece; apenas se transforma.
Ao cair da noite, a cidade troca o calor implacável do dia por uma umidade densa que se cola à pele. Lâminas brilhantes de carros cortam a avenida, e as luzes invadem os quartos. Sons de vozes em esquinas distantes flutuam no ar. Tudo vibra, tudo distrai. Contudo, não estou aqui para me perder neste espetáculo.
Vim por Alexandra.
E, ainda assim, era Donatella quem ocupava cada espaço entre uma respiração e outra.
Eu a odiava. Odiava