Mundo de ficçãoIniciar sessãoRaphael Moretti, conhecido como "O Coração de Gelo", é um CEO poderoso da Moretti Enterprises, cuja vida dupla o coloca no centro de uma teia de traição e lealdade. Quando uma aliança improvável com a enigmática Alessandra ameaça expor segredos que podem abalar seu império empresarial e sua posição na máfia italiana, Raphael se vê em um jogo perigoso onde cada movimento pode selar o destino de muitos. Enquanto ele luta para proteger seus interesses e manter-se fiel às suas convicções, uma série de eventos inesperados o leva a uma jornada de descoberta e redenção. Com reviravoltas emocionantes e personagens complexos, "O Coração de Gelo" é uma história sobre poder, ambição e os sacrifícios que estamos dispostos a fazer para proteger aquilo que mais valorizamos.
Ler maisDonatellaA manhã chegou sem delicadeza.A luz invadiu o quarto pelas frestas da cortina, agindo como uma crítica, expondo o caos do apartamento e, principalmente, o meu estado. Eu fiz um esforço para sair da cama, com o objetivo simples de começar um dia normal, mas meu corpo resistiu. A vertigem surgiu primeiro, rápida, seguida por uma náusea amarga e persistente, como um sinal de revolta interior.Apoiei a mão no criado-mudo e respirei fundo, esperando que passasse. Não passou.Fui até o banheiro com passos lentos, segurando a parede como se ela fosse a única coisa firme no mundo. O espelho devolveu uma imagem que não me agradou: pele pálida, olhos fundos, boca sem cor. Eu parecia alguém que estava lentamente sendo apagada.“Apenas estresse”, eu disse a mim mesma.“Solidão. Falta de sono. Ansiedade.”Era mais fácil acreditar nisso do que admitir que meu corpo respondia ao que meu coração vinha tentando esconder desde que Raphael desapareceu em silêncio.Porque o silêncio dele não f
DanteO Rio de Janeiro jamais adormece; apenas se transforma.Ao cair da noite, a cidade troca o calor implacável do dia por uma umidade densa que se cola à pele. Lâminas brilhantes de carros cortam a avenida, e as luzes invadem os quartos. Sons de vozes em esquinas distantes flutuam no ar. Tudo vibra, tudo distrai. Contudo, não estou aqui para me perder neste espetáculo.Vim por Alexandra.E, ainda assim, era Donatella quem ocupava cada espaço entre uma respiração e outra.Eu a odiava. Odiava a maneira como ela se instalava em mim, sem a minha permissão. No meu mundo, só o que é útil tem direito de existir. Sentimentos são fraqueza, uma vulnerabilidade. São a brecha que faz homens fortes se curvarem diante daqueles que não conhecem a piedade.Donatella, por outro lado, sempre se destacou. Não era só a beleza ou aquela maneira de falar que sugeria segredos não ditos. O que a definia era a vulnerabilidade velada por uma fachada de orgulho. Havia uma tristeza sutil em seu olhar quando e
RaphaelA sala de reuniões da villa ainda cheirava a fumaça de charuto e a vinho derramado da noite anterior. Eu me sentava à cabeceira da mesa comprida, cercado por homens que me observavam com uma mistura de respeito e temor. Ser Don Moretti era mais do que carregar um nome. Era um fardo que se cravava na pele e no coração como uma cicatriz eterna.As vozes ao meu redor discutiam rotas de contrabando, alianças, dívidas a cobrar. Eu escutava, mas não ouvia. Estava ali, presente em corpo, mas meu pensamento vagava quilômetros longe daquela mesa, em direção ao Rio de Janeiro. Em direção a ela.Donatella.Meu coração se agitava só de pronunciar o nome em silêncio. Desde que assumi o lugar de meu pai, não tive tempo de respirar, de olhar para trás. Cada decisão que tomo carrega o peso de centenas de vidas, de uma família inteira que depende da minha firmeza. Mas à noite, quando a casa mergulha em silêncio, é sua ausência que me devora. E é no silêncio do Don que descubro a verdade: sem
DonatellaO sol lentamente desaparecia atrás dos prédios altos do Leblon, deixando uma sombra comprida em minha varanda. Eu, sentada sozinha naquela poltrona macia que Raphael havia comprado quando estava aqui no Brasil antes de ir para Palermo, observava em silêncio a cidade acender suas luzes, indiferente à minha solidão.Raphael. Apenas a lembrança de seu nome me causava uma dor profunda e familiar. Eu havia me acostumado com sua ausência, como alguém se acostuma a um frio constante ou a uma dor silenciosa. Não sabia exatamente quando ele havia deixado de me ligar, ou quando parei de esperar que o fizesse. Talvez a distância tivesse, enfim, feito seu trabalho: afastado de mim aquele que um dia prometeu nunca me deixar.Tomei um gole de vinho tinto, deixando o líquido escorrer lentamente pela minha garganta, ardendo mais do que aliviando. Meu olhar pousou no porta-retrato sobre a mesa de vidro. Raphael me abraçava naquela fotografia, seus olhos intensos fixados apenas em mim. Era o
RaphaelA manhã em Palermo tinha aquele tipo de silêncio que antecede uma tempestade. As janelas da villa deixavam entrar um raio tímido de sol, filtrado pela cortina de linho grosso que minha mãe havia escolhido anos atrás. O aroma persistente de limão ainda pairava no ar, mas agora parecia misturado a algo agridoce – talvez o gosto recente da desconfiança.Dante estava no Rio de Janeiro. E não me disse nada.— Foi decisão dele, Raphael — disse meu papá, apoiado na bengala, com o corpo inclinado sobre a varanda de pedra. Nem parece que dias atrás estava numa cama doente, agora estava ali em pé com seu charuto. Tem vícios que são difíceis de largar. — Você precisa deixar seu irmão resolver as coisas dele. Aqui é onde suas responsabilidades estão.Respirei fundo. A fumaça do charuto que ele segurava serpenteava entre nós, como um lembrete silencioso de que ele ainda observava tudo, mesmo quando dizia estar cansado.— Ele nunca faz nada por acaso. E nunca sem falar comigo, papá. Isso n
RaphaelO aroma familiar da villa me envolveu assim que entrei pela porta principal. A mistura do perfume de limão fresco, que minha mãe sempre fazia questão de manter na entrada, e o leve cheiro de madeira polida das colunas imponentes era como um lembrete de que eu estava de volta ao meu reino. Meu retorno era marcado por vitórias, mas também por dúvidas que insistiam em rondar minha mente.— Lorenzo, mande os rapazes descarregarem o carro. Preciso de um banho antes de qualquer outra coisa — ordenei enquanto subia a escadaria principal, cada passo ecoando pelos corredores silenciosos.O corredor que levava ao meu quarto estava exatamente como eu o deixara, mas algo parecia diferente. Talvez fosse o peso das decisões que eu havia tomado nos ú
Último capítulo