TARYN
Quando torno a despertar, o quarto está mergulhado num silêncio espesso. Não sei dizer quanto tempo passou. A luz dourada já não atravessa as cortinas com a mesma suavidade; agora é mais pálida, inclinada, denunciando que o dia avançou sem mim.
Estou sozinha.
O primeiro impulso é sentar, mas meu tornozelo responde com uma dor aguda, precisa o bastante para me arrancar o ar. Mordo o lábio para não gemer. A cabeça pesa, o corpo inteiro parece envolto em algodão molhado, mas estou desperta. Desperta de verdade dessa vez.
Olho em volta, alerta.
O vestido azul ainda está em mim. Amarrotado, sujo na barra, mas inteiro. Nenhuma troca. Isso me alivia e inquieta ao mesmo tempo. Ekran não me despiu, apenas me deixou como estava, mas lembrar do seu olhar quando acordei pela primeira vez.
Ele parecia irritado.
Empurro as pernas para fora da cama com cuidado exagerado. O chão frio sob os pés me ancora. Apoio-me na beirada da cama, respiro fundo, conto até três e fico de pé. A perna cede um po