TARYN
A sensação de estar sendo observada cresce, não como medo imediato, mas como um incômodo constante, uma presença que não se revela.
Meu pé prende numa raiz.
O mundo inclina.
Caio.
O impacto arranca um som seco do meu peito. A dor explode no tornozelo, quente, pulsante, e eu não consigo conter o gemido que escapa. Tento me mover, apoiar o peso, mas o corpo protesta com uma intensidade que me faz fechar os olhos por um instante longo demais.
— Não… — murmuro, mais para mim do que para qualquer outra coisa.
O frio se infiltra rápido. Minhas mãos tremem quando tento afastar folhas úmidas do vestido. O manto escorrega do ombro, e é quando sinto, antes de ver.
Um deslocamento no ar.
Pesado.
Lento.
Ergo o olhar.
Ela está ali.
A fera.
Muito maior do que nas histórias sussurradas. Não é apenas altura ou volume. É presença. O corpo maciço se destaca entre as sombras, músculos se movendo sob a pelagem escura, olhos fixos em mim com uma atenção que paralisa. Não há pressa nela. Não há fúria