TARYN
O dia passa sem que eu perceba.
Ou talvez, eu só esteja com a mente ocupada.
Permaneço no quarto, sentada perto da janela, observando a luz mudar sobre os jardins. A manhã se arrastou, já a tarde logo virou noite. Não recebi nenhuma visita e apesar de ter visto alguns criados rindo e passando com arranjos de flores pela janela, não senti vontade de deixar meus aposentos e descobrir a razão de tanto movimento.
Eu não esperava por ele, meu noivo.
Mas sua ausência ainda dói.
A mão queimada arde menos agora, embora a pele siga sensível, marcada por um tom rosado que se recusa a desaparecer. É um lembrete silencioso de que eu não pertenço àquela mesa. Essa casa.
No meio da tarde, a batida discreta na porta me arranca dos pensamentos.
É ela.
A jovem criada que trouxe a pasta verde. O rosto ainda carrega o mesmo cuidado excessivo, como se cada gesto fosse vigiado. Ela entra sem levantar muito os olhos, deposita a bandeja sobre a pequena mesa e murmura que é a refeição.
Coelho assado. E