CAIUS
O mar estava revolto.
As ondas batiam contra o casco do navio como punhos fechados.
O vento cortava meu rosto.
Ainda assim, eu não conseguia sentir frio.
Havia algo pior.
Muito pior.
Uma inquietação constante sob minha pele.
Como milhares de insetos caminhando por dentro da minha carne.
Apoiei as duas mãos na amurada.
Respirei fundo.
Erro.
O cheiro do oceano entrou nos meus pulmões.
Sal.
Peixes.
Madeira molhada.
Todos os aromas chegaram ao mesmo tempo.
Fortes demais.
Meu maxilar travou.
A