A dor não voltou com a mesma força.
E talvez isso tenha sido o pior.
Porque quando algo dói e passa rápido demais, a gente não sabe se agradece ou se entra em pânico. Eu fiquei sentada na beira da cama, respirando fundo, esperando o corpo decidir se ia me punir de novo ou fingir que nada tinha acontecido.
— Isso não foi normal — Miguel disse, ajoelhado à minha frente, os olhos fixos em mim. — Não dá pra ignorar.
— Eu sei — respondi. — Mas também não quero correr pra um hospital e virar assunto