O silêncio daquela noite não era calmo. Era tenso, espesso, como se qualquer palavra mal colocada pudesse detonar algo maior. Marcos chegou tarde, os passos pesados demais para alguém que tentava passar despercebido. A porta foi fechada com força desnecessária, o barulho ecoando pela casa como um aviso.
Eu estava sentada no sofá, fingindo assistir à televisão. Fingindo era a palavra certa. Nenhuma imagem entrava de verdade na minha mente. Tudo o que eu conseguia sentir era o corpo em alerta, co