Marcelo
O apartamento estava silencioso, o tipo de silêncio que pesa mais que uma âncora. Sentei na poltrona, a mesma onde passei tantas noites encarando o vazio, e tentei organizar o caos que Renata deixou na minha cabeça. O beijo dela, o jeito que se entregou, o calor do corpo dela contra o meu — foi como acender uma luz num quarto que eu mantive trancado por sete anos. Mas agora, com ela fora, a escuridão voltava, trazendo a culpa que eu carregava como uma segunda pele.
Anita. Sempre Anita.