RenataSaí de casa com a Lara de mãos dadas, a mochilinha dela balançando nas costas como se fosse uma aventura épica. Para ela, talvez fosse. Para mim, era mais um episódio de "Como Sobreviver ao Meu Chefe com Uma Criança a Tiracolo". O trânsito de São Paulo — porque, claro, tinha que ser São Paulo, uma cidade que engole e cospe você só para rir da sua cara — não ajudou. Chegamos à Almeida Construções às 7h50, com exatos dez minutos para transformar minha filha em um ninja silencioso antes que Marcelo Almeida aparecesse.— Lembra do combinado, pequena — sussurrei enquanto subíamos no elevador, segurando firme sua mão. — Você fica quietinha, não mexe em nada e, pelo amor de Deus, não chama o Marcelo de “chefe malvado” na frente dele. Se ele te pega, eu viro ex-secretária, e a gente vai vender brigadeiro na rua para sobreviver.Lara riu, os olhos brilhando de travessura.— Tá, mamãe. Eu sou ninja, ó — disse ela, fazendo um movimento exagerado com os braços que quase derrubou a mochila.
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