Marcelo
Entrei no elevador atrás da Renata, a pasta firme na mão, mas algo parecia diferente. As portas se fecharam com um clique suave. O silêncio caiu entre nós — pesado como sempre —, mas dessa vez, eu não sabia como ignorá-lo.
Ela estava a poucos passos, segurando a bolsa surrada contra o peito e, pela primeira vez em cinco anos, eu realmente a olhei. Não como a profissional eficiente que mantinha meu mundo nos trilhos. Mas como… Renata.
Os cílios dela eram longos, curvos, emoldurando olhos