Mundo de ficçãoIniciar sessão(...)
Liza
Lorenzo parecia ser controlador, o tom de voz que usava comigo me deixava com raiva mas a minha maior preocupação era visitar meu pai antes do meio-dia, minhas pernas balançavam do nervosismo e ansiedade, o silêncio dentro daquele carro era constrangedor, uma vez ou outra ele bufava parecendo irritado, até que entendi o motivo quando pediu para mim parar.
Me encolhi no banco, eu estava completamente fora da minha zona de conforto, com um cara que logo será meu futuro marido. As três horas parada naquele congestionamento, foram as horas mais constrangedoras da minha vida, parecia uma eternidade, agredeci mentalmente quando aos poucos a fila de carros foram andando. Me senti um peixe fora d'água naquela loja, tentei ser o mais rápida possível na escolha, a atendente estava mais preocupada em agradar a Lorenzo do que prestar atenção em mim.
Provei um por um os vestidos, eu apenas abria a cortina do provador e ao ver o olhar de reprovação de Lorenzo, não perdia meu tempo de ir até ele, estava com pressa, não me perdoaria jamais se acontecesse algo com meu pai e eu não fui visita-lo antes. Deixei por último o vestido que ele havia escolhido, era perfeito, mas não para mim, ousado, sua cor vermelha chamava a atenção, se desenhando perfeitamente no meu corpo, deixando meus seios fartos, uma fenda na lateral deixando uma das minhas pernas expostas, realmente era maravilhoso, mas não é algo que estou acostumuda a usar.
Quando abri a cortina que meus olhos encontraram com o dele, senti-me um pouco envergonhada, ele fez sinal para que eu me aproximasse e assim fiz, sentindo minhas pernas tremer com seu olhar. Lorenzo se levantou e se aproximou, segurando em minha mão me fazendo rodar, minha pele se arrepiou diante desse gesto.
— Vamos levar!
Ele se afastou, suspirei aliviada por finalmente ter sua aprovação e sai praticamente correndo, a moça no caixa se insinuava ainda mais para ele mas Lorenzo não dava atenção, era curto e grosseiro. Olhei a hora no celular e me decepcionei, soltando um suspiro, demoramos mais do que eu esperava, o hospital é do outro lado da cidade, não vou conseguir chegar a tempo. Meu coração se apertou começando uma briga interna, meus olhos arderam com as lágrimas, seguimos pro carro e não consegui controlar, deixando uma escorrar sobre meu rosto, rapidamente limpei.
Quando Lorenzo me quesitonou sobre o vestido, apenas neguei com a cabeça, não estava a fim de falar, meu interior gritava, onde foi que eu errei? Nunca tive uma vida comum como a maioria das garotas, sempre tive que trabalhar para ajudar meu pai dentro de casa, ele sempre fez de tudo para que não faltasse nada, com isso, não tenho muitos amigos, nunca me envolvi com nenhum rapaz. E agora, de repente, seis meses tudo desmorona, papai entre á vida e a morte, despejados e agora, um contrato de casamento.
Por incrível, no hospital a moça liberou minha entrada, sem ao menos tentar me esbarrar e sei que isso teve influência do nome de Lorenzo. Ele insistiu em me esperar, eu estou acostumada a pegar ônibus, não tinha essa necessidade mas me venceu pelo cansaço, não ficaria discutindo sobre, só queria poder ver meu pai logo. O abracei e conversei muito com ele, mesmo que não pudesse me responder, sei que estará me ouvindo, pedi perdão também por talvez, falhar como filha, sei que esse não era o destino que ele gostaria para mim.
Fiquei aflita a tarde toda, Nastásia tentou me distrair mas era impossível não pensar no que poderá acontecer, os riscos era mais altos do que um milagre, pedi para que me dessem notícias assim que a cirurgia acabasse. Por volta das dezoito horas, minha amiga me ajudou se maquiar e fez alguns cachos na ponta do meu cabelo.
— Nossa, uau! Lorenzo é um homem de sorte. - Olhei torto para ela.
— Nastásia você sabe que isso não é real.
— Mas pode se tornar. - Suspirei e me levante, virando e a encarando.
— Regra número um do contrato, não se apaixonar.
— Amiga vai me dizer, você não tem vontade de se aproveitar pra tirar uma lasquinha daquela gostoso? - Ri nervosamente.
— Você e todas as garotas, mudariam completamente se vissem como ele trata uma mulher.
Caminhei até a cama e peguei meu celular que estava em cima da mesma, nada, nenhuma notícias, já faz quatro horas de cirurgia, deixei um respirar frustado escapar.
— Amiga relaxe! - Ela se aproximou e segurou em minha mão. – Seu pai irá ficar bem e você vai se sair bem na sua atuação, não se sinta culpada, está salvando a vida do seu pai e poderá mudar completamente a de vocês, são duzentos mil doláres por cinco meses, você tem noção disso?
– Dinheiro é o menor dos meus problemas agora. - Meu celular vibrou, olhei para o mesmo, era Lorenzo á minha espera.
– Vai la garota, coloca um sorriso nesse rosto e eu estarei aqui, torcendo por você.
Dei um sorriso de canto, sentindo a mesma me abraçar. Respirei fundo e fui de encontro dele, meus sentimentos estavam uma bagunça, medo, ansiedade, nervosismo, preciso conseguir me controlar para que tudo ocorra perfeitamente sem nenhuma suspeita. Quando o avistei, escorado no carro com um buque de flores em mão, minhas pernas vacilaram, me fazendo perder o equilibro e quase cair. Em sgundos, Lorenzo estava ao meu lado.
— Você está bem?
— Na medida do possível, sim.
Me recompus, fechando meus olhos e respirando fundo. Quando retornei abri-los, Lorenzo se aproximava, sua mão apoiou em minhas costas, tranquei minha respiração rapidamente e ouvi seu sussurro:
— Meu motorista também não pode suspeitar que não somos um casal, então espero que você me ajude como ajudei você.
Ele se afastou, me entregando o buquê de flores que entanto era de muito bom gosto, isso deixaria qualquer mulher aos seus pés, dei um sorriso "gentil".
— São lindas, obrigada.
— Afinal, você está perfeita!
Ele deu um sorriso, que juro, parecia ser verdadeiro, seus olhos me penetravam de uma maneira que faziam minha pele esquentar. Lorenzo me guiou, abrindo a porta do carro para que eu pudesse entrar, sendo assim, apresentada para seu motorista como sua futura noiva, sorri em cumprimento, o senhor parecia ser agradavél e simpático. Logo o senti do meu lado, seu perfume exalando dentro daquele automóvel, sua mão se pousou sobre minha perna, me fazendo no impulso, puxar a mesma, mas ele segurou com firmeza.
O caminho foi um silêncio, meu coração inquieto, eu só conseguia pensar em meu pai. Quando chegamos, esperei por Lorenzo abrir a porta, ele estendou a mão e assim segurei, descendo do carro, na mesma hora meu celular começou a tocar, olhei, era do hospital, desviei o olhar para Lorenzo para sua permissão e o mesmo assentiu.
— Al?
— Senhorita Liza Backer?
– Sim, ela mesmo.
— Desculpa a demora em ligar para dar informações do seu pai, como sabe era uma criurgia delicada, tudo feito com muita cautela. - Ela explicava e meu coração parecia que ia sair pela boca, quando ouvi. — Mas foi um sucesso, ele está se recuperando e logo irá retornar para o seu quarto, as próximas horas serão crucial para sabermos como irá passar.
Agredeci a moça e olhei para cima, agradacendo mentalmente a Deus por ter cuidado do meu pai, ter o permitido ficar. Senti uma mão em meu ombro, automáticamente me virei e o abracei, sem raciocinar direito, pois se não fosse Lorenzo, não sei o que poderia ter acontecido.







