Flávia
As semanas seguintes foram tomadas por um entusiasmo silencioso, aquele tipo de alegria que se espalha aos poucos, preenchendo cada canto da casa. Desde o dia em que contamos a Caio, ele não falava em outra coisa — queria saber o que levar, o que ia comer, se teria piscina, se teria castelo. Às vezes, acordava mais cedo e aparecia no nosso quarto segurando o caderno de desenhos, mostrando o “mapa da viagem” que ele mesmo fazia.
— Olha, mamãe, aqui é o avião — dizia, apontando com orgulho