O envelope permaneceu fechado durante três dias.
Três dias inteiros.
Guardado na gaveta ao lado da cama.
Sempre ao alcance da mão.
Sempre presente.
Como uma sombra silenciosa.
Helena tentou ignorá-lo.
Tentou convencer a si mesma de que não importava.
Tentou fingir que era apenas papel.
Mas não era.
Era Dante.
E talvez fosse justamente isso que a assustava.
Porque durante meses ela aprendeu a viver sem ouvir sua voz.
Sem suas explicações.
Sem suas justificativas.
Sem seus pedidos.
A carta ameaça