Helena continuava diante da tela, o pincel firme, o olhar concentrado.
O som da porta da frente se abrindo e fechando várias vezes já era um eco distante; até o vento parecia conter a respiração.
Mabe estava deitada ao lado, o focinho apoiado sobre as patas, observando-a em silêncio — como se também compreendesse o que nascia ali.
A primeira forma surgiu devagar, como se Helena a arrancasse de dentro de si.
Tons azulados dominavam o fundo — não o azul sereno do céu, mas o frio e profundo da ág