"O tempo tem a estranha mania de ser tarde demais"
Quando Cássio abriu os olhos, o cheiro asséptico o atingiu de imediato. Piscou algumas vezes, tentando afastar a névoa da mente, até que a imagem se organizou: teto branco, luz fria, o contorno metálico de equipamentos ao redor. Estava em uma cama de hospital.
A cabeça latejava. Um torpor incômodo o deixava lento, mas ainda assim ele tentou se sentar.
— Você acordou? — a voz de Silvia veio apressada, enquanto ela se aproximava.
— O que… o que aconteceu? — perguntou, a garganta seca.
Antes que ela respondesse, a porta se abriu e o médico entrou no quarto.
— Que bom que despertou. Como está se sentindo? — perguntou com um tom profissional, porém gentil.
— Não sei… eu… — Cássio ainda parecia tentar montar as peças do que lembrava.
— O senhor teve uma crise de pânico — explicou o médico, respirando com empatia. — É algo relativamente comum em pessoas sob níveis elevados de estresse.
— Crise de pânico? — Cássio repetiu, como se a expressão