“Quem cresce na sombra aprende cedo a usar a escuridão como abrigo e como arma.”
Cássio entrou em casa com passos pesados, Silvia logo atrás. Atirou o paletó sobre o sofá e seguiu direto para a escada.
— Você não vai comer? — ela perguntou.
— Estou sem fome.
Silvia o observou subir. Não era apenas um homem moralmente diminuído — ele parecia menor. Mais magro, a pele opaca, os movimentos lentos de quem estava doente. Se falisse, não teria muita utilidade. Mas morto, seria inútil de vez. Então insistiu, modulando a voz com cuidado.
— Você precisa se alimentar melhor. Cuidar da sua saúde.
Cássio parou antes do primeiro degrau, sem se virar.
— Por que você não sobe e toma um banho enquanto eu preparo alguma coisa?
Houve um breve silêncio.
— Tudo bem.
Assim que ele desapareceu no topo da escada, Silvia pegou o celular e enviou uma mensagem curta à empregada, pedindo que viesse preparar um caldo de legumes.
Mais tarde, Cássio saiu do banho arrastando o corpo exausto. Vestiu o pijama como q