“O pior tipo de perda é quando ninguém te tira nada — você só percebe tarde demais o que jogou fora.”
Cássio deixou o fórum escoltado. Assim que cruzaram a porta, os seguranças o empurraram sem qualquer delicadeza.
Os olhares curiosos se voltaram para ele sem pudor — alguns de espanto, outros de reconhecimento silencioso. Com as mãos ainda trêmulas, puxou um lenço do bolso interno do paletó e tentou estancar o sangue que escorria do nariz, ao mesmo tempo em que escondia o rosto.
— Me tire daqui — ordenou a Riviera, a voz carregada de raiva e humilhação.
O advogado o acompanhou até o carro e o acomodou no banco traseiro. O simples ato de se sentar arrancou-lhe um gemido baixo; a respiração veio irregular. As costas protestavam pela queda, e bastou lembrar do que Helena fizera para algo ferver dentro dele.
“Como ela pôde fazer isso comigo?
E quando foi que aprendeu a se defender assim?”
O corpo inteiro se tensionou. Ao afastar o lenço do rosto, o sangue fresco lhe trouxe outra imagem —