Ele…
Eu já tinha me acostumado com o silêncio dos corredores do hospital, mas naquela noite ele parecia mais denso.
Mais carregado.
O tipo de silêncio que se instala depois de uma batalha — quando tudo ao redor ainda pulsa com o eco do que quase se perdeu.
Tânia estava estável.
Ainda em ventilação assistida, monitorada por todos os lados, mas viva.
Contra todas as estatísticas e probabilidades, ela estava viva e mesmo com o corpo em colapso, o coração dela ainda batia.
Eu tinha visto isso com meus próprios olhos, sentido sob minhas mãos enquanto reabria o abdômen, enquanto lutava contra o tempo, contra a morte e contra o que restava de mim mesmo.
Eu ainda estava com o jaleco aberto, sujo de cansaço e suor, quando ouvi meu nome.
— Doutor Klaus?
A voz era grave.
Familiar demais para passar despercebida.
Virei devagar, como se meu corpo já soubesse o que me esperava.
Eles…
Os pais de Tânia.
Os dois de pé, no fim do corredor, com expressões tensas e olhos aflitos.
Po