Mundo de ficçãoIniciar sessãoCALEB
Sinto uma onda súbita de náusea subir pela minha garganta com tanta força que mal consigo me levantar da poltrona. Corro em direção ao banheiro do corredor, empurrando a porta de uma vez. O mal-estar visceral e o nojo absoluto tomam conta de todo o meu corpo. Ajoelho-me aos pés do vaso sanitário e meu estômago se contorce inteiro enquanto ponho tudo para fora. Depois de expelir a náusea física, o que sobra é apenas o choro. Um choro convulsivo, doloroso e pesado. Permaneço ali, ajoelhado no chão frio de mármore, com os braços apoiados na louça branca, deixando as lágrimas lavarem meu rosto. Choro por aquela vida inocente que foi interrompida sem que eu ao menos soubesse, por uma parte do meu próprio sangue que foi descartada como se não fosse nada. E choro, acima de tudo, pela repulsa e pelo arrependimento esmagador de ver com que tipo de pessoa fútil e fria eu convivi durante um ano inteiro. — Meu Deus... — murmuro entre os soluços, limpando a boca com as costas da mão e encostando a cabeça na parede. — O que foi que eu vi naquela mulher? Quanto tempo da minha vida eu joguei no lixo? A culpa me esmaga, mas, no meio do breu e da dor que me sufocam, um raio de clareza finalmente atravessa a minha mente. O contraste com a dignidade da Hadasha me faz enxergar a loucura do meu pensamento de antes. Pegar material genético das crianças às escondidas? Arrancar um fio de cabelo ou saliva de dois bebês sem o consentimento da mãe deles? Não. Eu não posso ser esse homem. Eu não vou violar a privacidade da Hadasha nem agir como um invasor covarde. É quando uma ideia muito mais humana e direta se acende na minha cabeça. — A Caroline... — sussurro para mim mesmo, enquanto me levanto devagar e corro a água da torneira na pia para lavar o rosto. A amiga da Hadasha. A mulher que esteve ao lado dela durante todo o período difícil da faculdade, que morou no apartamento em Michigan e que ajudou a cuidar dos gêmeos desde o primeiro dia. Se existe alguém no mundo que sabe a verdade absoluta sobre a paternidade daqueles meninos e sobre tudo o que a Hadasha enfrentou, essa pessoa é a Caroline. Eu não preciso cometer uma atitude baixa ou agir pelas costas de forma invasiva. O meu caminho é procurar a Caroline. Vou usar os meus recursos para descobrir onde ela trabalha aqui na cidade e ir até ela. Vou me humilhar se for preciso, abrir o meu coração, demonstrar o meu arrependimento sincero e implorar para que ela me diga a verdade. Eu preciso me retratar com a Hadasha. Preciso pedir perdão por todo o mal e pela negligência do passado, mesmo sabendo que o caminho do perdão será longo e doloroso. Se Zara e Owen forem realmente meus filhos, não tenho a menor intenção de impor a minha presença à força ou usar a lei para arrancá-los dela. Eu quero ter o direito de conviver com eles, de dar o amor e o suporte de um pai, mas quero que a Hadasha permita isso por vontade própria. Quero construir uma ponte de respeito. Enxugo o rosto na toalha, encarando o meu próprio reflexo no espelho com uma determinação renovada. A dor do luto pelo filho que perdi hoje não vai desaparecer, mas a esperança de recuperar os filhos que podem estar vivos agora me dá forças para caminhar. É isso o que eu vou fazer. Vou atrás da Caroline e descobrir a verdade da forma certa.






