####CAPÍTULO 35

CALEB

Seguro o telefone com mais força contra a orelha, sentindo a respiração ficar cada vez mais pesada enquanto o silêncio do outro lado da linha cobra uma posição. As palavras da minha mãe entram na minha mente como um machado, destruindo qualquer tentativa de negação que tentei cultivar desde o instante em que vi a Hadasha e as crianças no shopping. Permaneço caminhando pela biblioteca, o eco dos meus passos marcando a gravidade do momento, até que me encosto na borda da pesada mesa de madeira e deixo a verdade finalmente sair da minha garganta.

— Então, mãe... depois de tudo o que a senhora me falou, eu também começo a ter certeza absoluta. Não consigo mais afastar essa possibilidade da minha cabeça nem por um segundo. Agora eu preciso descobrir a verdade. Preciso provar se aquelas crianças realmente são meus filhos. Mas existe uma questão gigantesca travando meu peito: como é que eu vou conseguir atravessar a barreira colossal que a Hadasha construiu entre nós? Como vou me aproximar dela e, se a senhora estiver certa, dos nossos próprios filhos? E outra coisa que não sai da minha cabeça... por que ela nunca me procurou, mãe? Por que nunca me contou e preferiu esconder isso de mim por cinco anos?

A resposta da minha mãe vem imediatamente, cortando o ar com uma firmeza inflexível que não dá margem para vitimização.

— Caleb, não venha com essa história de querer culpá-la. Eu não admito sob hipótese alguma que você faça isso. Ela não mentiu para você, não inventou uma farsa e também não vou aceitar que você a condene por ter permanecido em silêncio durante todo esse tempo. Se eu estivesse no lugar daquela menina, como mulher, faria exatamente a mesma coisa. Antes de procurar qualquer defeito na Hadasha, procure lembrar da besteira imperdoável que você fez no passado. Foi você quem a deixou sozinha naquele baile para correr atrás da Livi. Foi você quem permitiu que a história de vocês terminasse daquele jeito miserável. Então, em vez de procurar culpados para aliviar o seu remorso, vá consertar aquilo que você mesmo destruiu. E tem mais uma coisa, meu filho... durante todos esses anos, você viveu esse relacionamento de idas e vindas com a Livi. Vocês terminavam, voltavam, brigavam, reatavam... até que, recentemente, eu mesma cheguei a pensar que vocês finalmente fossem se casar. Agora você me diz que rompeu com ela de vez. Esse rompimento aconteceu por causa da Hadasha? Quando foi isso?

Abaixo a cabeça, sentindo cada palavra da minha mãe acertar exatamente onde mais dói em mim. Encosto a testa no vidro frio da janela e solto o ar devagar.

— Aconteceu hoje, mãe. Logo depois que a Hadasha foi embora do shopping acompanhada das crianças e da Caroline. A Livi me ligou do nada, querendo tomar satisfação e exigindo saber onde eu estava. Quando respondi que estava no shopping, ela ficou indignada, surtando porque eu não a tinha convidado, mesmo ela estando em Milão a trabalho. Ali eu percebi que tinha chegado ao meu limite absoluto. Eu estou exausto da infantilidade dela, mãe. Cansado da falta de maturidade e do egoísmo. A Livi não é uma companheira para construir uma vida ou uma família; ela é uma mulher bonita que chama atenção por onde passa, mas vive como se o mundo inteiro tivesse a obrigação de girar ao redor do umbigo dela. Ela se comporta como um troféu, como um adorno social, e eu descobri da pior forma que não é isso o que eu quero para mim.

A minha mãe permanece em um silêncio atento do outro lado da linha, permitindo que as palavras fluam sem interrupções.

— Compará-la com a Hadasha chega a parecer injusto, e não estou falando de beleza física, porque as duas são bonitas à sua maneira. A diferença brutal está na essência e no caráter. A Livi chegou ao absurdo de chamar a Hadasha de "nerd horrorosa" quando esteve no meu escritório, mas a verdade é que ela não chega nem aos pés da grandeza da Hadasha. A Hadasha sempre foi uma mulher íntegra, digna e independente. Mesmo tendo pais com uma condição financeira extremamente bem-resolvida, ela nunca quis viver às custas de ninguém. Ela estudou, trabalhou, enfrentou madrugadas em claro e conquistou o próprio espaço por mérito. Enquanto isso, a Livi dizia com o maior orgulho que jamais pisaria em uma faculdade porque era bonita demais para isso, que já tinha contratos para desfilar e que estudar era uma perda de tempo. Tudo bem, ela ganha o dinheiro dela com a moda, mas até quando? A beleza passa, a juventude acaba, e os pais dela a criaram alimentando a ilusão de que a aparência seria o suficiente para sustentá-la a vida inteira.

— Justamente, meu filho — concorda minha mãe, com a voz serena. — A beleza não é eterna e a juventude também não. Uma pessoa precisa construir uma estrutura por dentro. Mas existe outro problema nessa história: se a Hadasha acompanhou de longe esses anos todos o seu relacionamento com a Livi, é muito provável que ela nem saiba que você rompeu. Para ela, você ainda é um homem comprometido. E, pelo que você está me contando, é bastante evidente que as duas nunca se deram bem.

— Nem um pouco, mãe — solto uma risada amarga, balançando a cabeça ao me recordar da cena. — No primeiro dia de trabalho da Hadasha, ela estava no meu escritório e eu tentava usar o momento para conversar sobre o nosso passado, para entender por que ela tinha desaparecido da minha vida daquele jeito. Antes que eu conseguisse avançar, a minha secretária avisou pelo interfone que a Livi estava chegando. Mas avisar não adianta nada para a Livi, porque ela simplesmente abre a porta e entra, sem respeitar quem está comigo ou perguntar se pode interromper. Ela entrou sorrindo, olhou para a Hadasha e disse com aquela ironia barata: "Nossa, que coincidência! Ontem nos encontramos no salão e hoje nos encontramos aqui, na sala do meu namorado." E sabe o que mais me impressionou? A Hadasha não perdeu a classe nem por uma fração de segundo. Ela não se alterou, não levantou a voz e não aceitou entrar no jogo. Apenas respondeu com uma elegância impecável que realmente era uma coincidência, desejou bom dia, disse que precisava conhecer as dependências da empresa e saiu da sala de cabeça erguida. Depois que ela saiu, a Livi passou minutos falando mal dela, tentando diminuí-la. Eu odeio isso, mãe. Odeio gente que precisa pisotear os outros para tentar parecer superior. Naquele momento, a Hadasha mostrou quem realmente tem grandeza, sem precisar dizer uma única palavra agressiva.

— E é por isso que ela ergueu essa barreira, Caleb — conclui minha mãe, com o tom solene e decisivo. — Ela se protegeu de você e de tudo o que girava ao seu redor. Agora você já sabe o peso do que tem nas mãos. Descubra a verdade sobre essas crianças e faça o que for preciso para reparar o passado.

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