42. Blade
— Não, não, não!
Um lamento dolorido e desesperado corta o ar e me faz desviar os olhos dela.
— Eu não queria… — Vittorio se ajoelha, completamente dilacerado.
Exatamente como eu queria que ele ficasse: sem forças, quebrado, destruído por dentro e por fora como eu fiquei. Ele finalmente está saboreando o gosto amargo do que me fez sentir há dois anos.
Mas a ironia é cruel — porque, ao olhar Abby caída sobre uma poça de sangue, percebo que talvez a minha vitória seja também seja a minha derrota. Tenho a minha vingança, mas em troca, perdi a minha vida.
O ar some dos meus pulmões e uma raiva antiga, primitiva percorre as minhas veias como um fogo líquido. E um rugido feroz explode da minha garganta.
— Seu desgraçado! — Vittorio ergue o seu olhar derrotado para mim. Deixo Abby no chão e avanço sobre ele. Cada golpe é um grito que engasguei durante anos.
— VOCÊ A MATOU!
Urro, enquanto meus punhos encontram o rosto dele, de novo e de novo, até que o sangue me cegue e o ódio me anestesie.
O