37. Vittorio
Algumas horas depois…
A porta do meu escritório se abre no exato momento que bebo um gole do uísque puro e sem gelo. O álcool desce queimando pela minha garganta, e logo o sinto aquecer-me por dentro.
— E então? — inquiro sem sequer olhar para a pessoa em pé atrás de mim.
— Precisamos tirá-la de lá agora, senhor Leone. — A voz preocupada da empregada preenche o cômodo. — Temo que ela não resista a esse frio.
— Ainda não — resmungo rígido. — Ela precisa esquecê-lo. Precisa me amar outra vez. O frio vai limpá-la por dentro, vai apagar as marcas que ele deixou.
— Mas, senhor Leone… — Ergo o meu olhar intolerante para ela. — É claro, senhor, como quiser.
Então ela se retira e fecha a porta.
Isolado, me sirvo mais uma dose e entorno de uma vez, saindo do escritório na sequência e me dirijo para o pátio, onde um temporal cai impiedoso e o vento gelado da noite castiga com requinte de crueldade. Bem no centro do pátio está Abby, usando apenas uma camisola branca de algodão e amarrada a uma