Mayana não era cigana.
Os cabelos longos, o corpo bonito e a juventude apenas lhe deram aquela chance. A oportunidade de sobreviver foi o que a fez se agarrar ao povo que ela odiava, mas que aprendeu a chamar de família.
Estava sozinha, perdida entre a dor e a raiva, quando o acampamento passou pela estrada.
As vozes vieram primeiro. Risadas, cânticos sobre a natureza e antes que o toque quente e sujo a alcançasse, ela já os via como salvação.
Maia Morreu e Mayana nasceu como cigana e mulher de um clã que era totalmente diferente de tudo o que ela conhecia.
Não estava ali por escolha. Era vítima da vingança e do ciúme.
Ou, ao menos, acreditava ser.
Entregou uma fotografia à senhora que estava sentada ao lado, mastigando tabaco enquanto pintava as unhas.
A saia longa e suja servia para que a idosa limpasse o esmalte dos cantos.
— Eu era assim... antes deles destruírem meu rosto.
A idosa nem levantou os olhos. Achava que Mayana era apenas mais uma mentirosa.
Mas o chefe a havia escolhid