O galpão na zona portuária de Santos era uma catedral de zinco e ferrugem, onde o cheiro de maresia se misturava ao odor de óleo diesel e ao suor frio do medo. A iluminação vinha de lâmpadas de sódio que balançavam no teto alto, projetando sombras que pareciam se esticar e se retrair como espectros sobre as pilhas de contêineres abandonados. No centro do espaço vazio, uma mesa de metal maciço servia como o altar onde o destino de dois impérios seria decidido.
A cena era um barril de pólvora com