A noite em São Paulo caiu com uma densidade incomum, como se o próprio ar estivesse saturado de eletricidade e presságios. Na mansão, o silêncio não era de paz, mas de contenção. Mariana estava em seu quarto, sentada diante da penteadeira, observando o próprio reflexo enquanto escovava os cabelos com movimentos lentos e mecânicos. No visor do relógio digital, os números brilhavam em um verde neon: faltavam exatamente quatro dias para o fim do prazo. O tempo, que antes parecia um rio caudaloso,