Ela riu baixinho para algo que ele disse. O som me furou como uma agulha, então, ela olhou para mim, uma careta rápida de “você ainda está aqui?”.
— Amanhã? — ela disse no telefone, ainda me encarando. — Pode ser, sim. Às nove no campus tá ótimo. Combinado.
Amanhã, nove horas na faculdade…
Então ela se despediu com um “tchau” suave e aquele sorriso ainda nos lábios.
O mesmo sorriso que desapareceu instantaneamente quando ela desligou e voltou a atenção para mim, como se desligasse um interruptor.
Sem dizer uma palavra, ela pegou os copos da minha mão e colocou dois na mesa, pegando uma garrafa de refrigerante sem açúcar da geladeira.
— Laura não toma refrigerante — disse, minha voz saindo mais fria do que eu pretendia. — E muito menos a esta hora.
Ela ergueu o olhar para mim sem medo.
— É sem açúcar e uma vez por mês não vai fazer mal nenhum. É um piquenique, não um treinamento militar.
Abri a boca para contestar, para reafirmar minha autoridade, mas ela já havia virado as costas,