(Visão de Rodrigo)
A dor pulsava na minha testa, um latejar quente e insistente que combinava perfeitamente com a fúria que fervia por dentro.
O Sangue escorria entre meus dedos, com um vermelho vivo e humilhante no chão de mármore.
E ela ficava ali, parada, segurando aquele resto de vaso quebrado como uma criminosa flagrada, com os olhos arregalados de puro terror.
Só que agora o terror tinha dado lugar ao desespero.
— Meu Deus, Rodrigo, eu… eu sinto muito! Mil desculpas, eu não sabia que era você, juro! — a sua voz saiu aguda e cheia de pânico.
Mas a raiva explodiu, junto com a dor na cabeça e a noite miserável.
— O que diabos acontece com você, Mulher? — gritei, a voz ecoando no corredor vazio.
O som me doeu na minha cabeça, mas não importava.
— O que você fez? E por que merda estava aí na espreita, como uma lunática?
Ela engoliu em seco, e as palavras começaram a sair num fluxo contínuo, sem pausa, como se soltasse de uma vez aliviasse a culpa.
— Eu assisti um filme de terro