(Visão de Mariana)
Desci as escadas mancando só um pouquinho. Meu pé doía, mas era mais um incômodo do que qualquer coisa. A mente, por outro lado… estava um caos completo.
A noite inteira foi um loop daqueles minutos na cozinha. Nós dois no chão e aquele momento na cadeira… quando ele se inclinou.
O rosto tão perto que eu consegui contar cada cílio, cada minúscula imperfeição na pele que só deixava ele mais… real. O seu cheiro, limpo e masculino, mesmo depois da confusão.
E os olhos. Deus, os olhos. Aquele castanho escuro tão profundo, passando pelo meu rosto como um toque físico.
Eu jurei que ele ia me beijar e o pior? Por um milésimo de segundo, meu corpo todo esperou por aquilo. Travou, mas não de medo e sim… antecipação.
Foi a coisa mais absurda e perigosa que já pensei.
O cara que me odeia, me trata como um móvel com função, quase me matando e quase… aquilo. Minha cabeça ainda estava zonza.
Cheguei na cozinha e parei na porta.
Ele estava lá, sentado na cabeceira, lendo algo