Cap.53

Em vez de pegar o caminho para casa, virei o carro em direção ao centro, para o Cisne Negro.

Um clube de membros, discreto, onde o som era baixo, os drinks eram caros e as pessoas, em sua maioria, não se importavam com quem você era, desde que parecesse pertencer.

Era um lugar para desaparecer.

O barman, um homem mais velho que me conhecia há anos, apenas acenou quando entrei e foi preparar meu uísque, puro, sem gelo, antes mesmo de eu me sentar no banco no canto mais escuro.

Mal havia dado o primeiro gole, sentindo o líquido queimar um caminho familiar pela minha garganta, quando a voz surgiu ao meu lado.

— Se não é o fantasma da ópera. Ou só do mau humor mesmo.

Não precisei olhar, era Maurício, um amigo, se é que a palavra “amigo” se aplicava a alguém que eu via três vezes por ano.

Herdeiro de uma fortuna do setor de mineração, ele era o contrário de tudo que eu representava, mais desleixado, irreverente, completamente descompromissado com qualquer coisa que não fosse seu próprio
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