Em vez de pegar o caminho para casa, virei o carro em direção ao centro, para o Cisne Negro.
Um clube de membros, discreto, onde o som era baixo, os drinks eram caros e as pessoas, em sua maioria, não se importavam com quem você era, desde que parecesse pertencer.
Era um lugar para desaparecer.
O barman, um homem mais velho que me conhecia há anos, apenas acenou quando entrei e foi preparar meu uísque, puro, sem gelo, antes mesmo de eu me sentar no banco no canto mais escuro.
Mal havia dado o primeiro gole, sentindo o líquido queimar um caminho familiar pela minha garganta, quando a voz surgiu ao meu lado.
— Se não é o fantasma da ópera. Ou só do mau humor mesmo.
Não precisei olhar, era Maurício, um amigo, se é que a palavra “amigo” se aplicava a alguém que eu via três vezes por ano.
Herdeiro de uma fortuna do setor de mineração, ele era o contrário de tudo que eu representava, mais desleixado, irreverente, completamente descompromissado com qualquer coisa que não fosse seu próprio