Angel
O prédio cheirava a mofo e desesperança. Cada degrau que subimos rangia sob nossos pés, como se protestasse contra nossa presença. Eu deveria estar com medo. Com raiva. Mas tudo o que sentia era um vazio gelado no peito.
O apartamento era pequeno, mas surpreendentemente arrumado. Móveis velhos, mas limpos. Livros alinhados numa estante torta. Uma xícara de café pela metade sobre o balcão, como se alguém tivesse sido interrompido no meio da rotina.
— Sentem, — Raul disse, indicando o s