Sexta-feira
Daniel
O motor do meu Opala ronca suavemente enquanto me aproximo da oficina, um pouco antes das oito. O portão, como de costume, está entreaberto, um convite desleixado que só o Juninho, em sua eterna distração matinal, seria capaz de deixar. O cheiro. Ah, o cheiro da oficina. Uma sinfonia peculiar de óleo queimado, ferro gasto, e o amargor reconfortante do café velho, tudo isso misturado ao ar quente e úmido da manhã paulistana. É um aroma que, por três anos, foi o meu perfume, a