Minutos depois, sigo para o meu escritório nos fundos. O som das minhas botas ecoa no cimento frio. Fecho a porta e me permito respirar. O espaço é pequeno, mal iluminado e cheira a papel velho e café frio, mas é o meu refúgio. Encaro o vazio, sentindo a ponta do meu dedo ainda formigar. Fecho os olhos, e a imagem de Isadora retorna com uma nitidez perturbadora. Lembro-me da textura da pele dela sob o meu dedo sujo de óleo; macia, quente, vibrando com uma eletricidade que quase me roubou a voz.