Eu vim buscar uma arma. Mas acabei de perceber que a arma está apontada para o meu próprio coração.
Daniel se afasta apenas alguns milímetros, o suficiente para que nossos hálitos se misturem no espaço curto. Ele apoia a testa na minha, a respiração tão pesada e errática quanto a minha. Os olhos dele estão escuros, quase negros de desejo, e ele me encara como se tivesse acabado de descobrir um tesouro escondido.
— Viu só? — ele sussurra, a voz rouca, arranhada. — O gelo não era tão grosso assim. Só faltava a ferramenta certa para quebrar.
Eu continuo em transe, meus lábios latejam, meu corpo