Os Herdeiros Secretos do Milionário
Os Herdeiros Secretos do Milionário
Por: Darlla Vi
Prólogo

— Continue respirando, Arabella. Falta pouco agora.

Como era possível que o momento mais feliz da minha vida fosse também tomado por tanta tristeza e solidão?

A sala do hospital era iluminada por uma luz branca e fria, mas, dentro de mim, tudo parecia arder em chamas.

A dor vinha em ondas, fazendo minhas mãos agarrarem com força os lençóis da cama hospitalar, enquanto eu tentava regular minha respiração conforme me instruíam.

Meu pai era o familiar que estava ao meu lado, segurando forte a minha mão, sendo o meu porto seguro. A presença dele era essencial, era o que fazia eu me sentir protegida e acolhida.

Mas nada apagava o vazio da ausência de quem deveria estar ali.

Do pai daqueles bebês.

Do homem que eu havia amado. E que havia nos rejeitado.

— Está quase lá, só mais um pouco — a médica disse, com a voz tranquila de quem já estava bem acostumada a ver mulheres naquela situação.

— Vamos lá, filha, você é forte — meu pai falou baixinho ao meu lado.

Queria acreditar nele.

Precisava acreditar nele.

Porque ser forte, para mim, não era mais uma opção. Foi a mais vital das necessidades desde o momento que descobri estar grávida e entendi que estaria sozinha para criar aquela criança.

Ou melhor: aquelas crianças, já que logo fui surpreendida com a notícia de que teria gêmeos. Um menino e uma menina.

A dor dessa lembrança, do abandono do homem que amei e que acreditei que também tivesse algum sentimento por mim, queimava mais do que qualquer contração.

— Eu não consigo, pai — falei, em um sussurro desesperado. — Eu não consigo fazer isso sozinha.

Ele apertou minha mão com ainda mais força.

— Consegue sim, Arabella. Esses bebês têm a mãe mais forte e corajosa que podiam ter. Agora, concentre-se neles. Vai dar tudo certo.

Outra onda de dor me atingiu e lágrimas escaparam dos meus olhos sem que eu pudesse contê-las.

A médica anunciou que era hora de empurrar, e foi o que eu fiz. Em meio à dor, senti a mão do meu pai deslizando sobre os meus cabelos, em um gesto carinhoso que me remeteu à minha infância.

Então o som de um choro ecoou pela sala, e a primeira onda de alívio atingiu o meu peito. Toda a dor pareceu desaparecer por um momento, sendo substituída pela emoção mais avassaladora que eu já havia sentido na vida.

— É a nossa menina... — meu pai falou, emocionado, dando um beijo no alto da minha cabeça.

— Sua garotinha nasceu, filha.

Uma enfermeira segurou o primeiro bebê diante de mim, e eu ri em meio ao choro, tentando absorver o máximo da visão dos traços tão delicados e perfeitos da minha filha.

Mas não me deixaram olhá-la por muito tempo antes de levá-la para os primeiros cuidados. E outra contração pareceu rasgar o meu corpo, anunciando que meu outro bebê também estava a caminho.

Voltei a empurrar, com toda a força que tinha, até ouvir o som de um novo choro.

Lágrimas correram livres pelo meu rosto e eu admirei o meu garotinho. Tão frágil, tão pequeno... tão lindo.

Segurei os dois, cada um em um dos meus braços, e o calor daqueles dois corpinhos junto ao meu fez o meu coração transbordar com o amor mais potente que eu poderia imaginar que qualquer pessoa seria capaz de sentir na vida.

— Oi, meu amor... — sussurrei, passando meus olhos de um para o outro. — Oi, minha vida...

Os olhinhos deles mal abriam. Suas mãozinhas eram tão minúsculas. Seus corpinhos eram tão frágeis.

Ainda assim, tê-los em meus braços me trazia tanta força.

— Eu estou aqui — voltei a sussurrar para os dois. — Não importa o que aconteça, eu sempre estarei aqui. Vocês nunca estarão sozinhos. Nós nunca estaremos sozinhos, porque nós três somos um time agora.

Meu pai voltou a beijar a minha cabeça, admirando os netos e repetindo o quanto eram lindos.

E eu fechei os olhos por um momento, repetindo para mim mesma aquelas palavras que disse aos meus bebês.

Tudo ia ficar bem. Eu ia criar os meus filhos com a ajuda e o apoio do meu pai, e eles cresceriam felizes e saudáveis.

Toda a dor tinha ficado para trás. Agora só havia amor.

O amor mais puro e potente que poderia existir.

Um amor que nenhum abandono poderia apagar. Mas eu não consegui deixar de pensar em se, algum dia, o poderoso Vincent Harrington entenderia a dimensão de tudo o que deixou para trás. De tudo o que deixava de viver naquele momento ao meu lado.

E de, involuntariamente, recordar de todos os acontecimentos que tinham me levado até ali.

De tudo o que, agora, parecia pertencer a outra vida.

Ao verão em que tudo começou.

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