Capítulo 3

— Olá, estamos na lista — Madison respondeu, aproximando-se com uma elegância natural.

Permaneci um passo atrás, observando tudo com cautela. O luxo era absurdo. Lustres de cristal pendiam do teto alto, vertendo uma iluminação âmbar que conferia a tudo uma aura de sofisticação quase irreal. O tapete vermelho profundo, adornado com padrões dourados, abafava nossos passos, como se até o som fosse um privilégio controlado.

Mesas de madeira escura exibiam arranjos de flores brancas, e espelhos ornamentados refletiam o desfile de pessoas elegantes. Era impossível não se sentir observada, mesmo quando ninguém olhava. O ar cheirava a perfume caro, flores e madeira polida. Ao fundo, a música vinda do salão era um convite abafado e sofisticado.

— Claro, como se chamam? — a mulher perguntou gentilmente.

— Madison Brooks e Collins Laurent — minha amiga respondeu com uma sofisticação que eu jamais conseguiria emular.

A recepcionista deslizou o dedo pelo tablet, o brilho da tela refletido em seus olhos, antes de assentir e nos dar passagem com um gesto gracioso.

— Perfeito, Srta. Brooks. Tenham uma noite memorável.

Ela se afastou, permitindo nossa entrada com um movimento quase teatral. Madson entrelaçou o seu braço ao meu, exibindo um sorriso animado e provocativo.

— Vamos nos divertir muito, Goldie — sussurrou, puxando-me para dentro.

Eu não respondi. Apenas deixei que ela me guiasse para o centro do furacão, rindo internamente do apelido ridículo e torcendo para que a noite não terminasse em um completo desastre.

Assim que atravessei a porta, fui engolida por uma energia completamente diferente do corredor silencioso. O salão continuava luxuoso — isso não mudava —, mas ali dentro tudo parecia mais vivo, mais quente, mais… perigoso.

As luzes eram mais baixas, douradas, misturadas com pontos suaves de iluminação indireta que refletiam no cristal das taças e nos detalhes metálicos do ambiente. Os lustres ainda estavam lá, imponentes, mas agora dividiam atenção com um jogo de luz moderno que pulsava discretamente no ritmo da música.

E a música… não era apenas ambiente.

Um DJ ocupava um espaço elegante ao fundo, conduzindo uma batida envolvente, algo entre eletrônico e jazz moderno. Não era alto o suficiente para impedir conversas, mas era impossível ignorar. Ela vibrava no peito, marcando o ritmo de cada passo, de cada olhar.

O salão estava cheio.

Pessoas se agrupavam em rodas de conversa, riam com mais liberdade do que no corredor, se inclinavam umas para as outras com intimidade demais para serem apenas desconhecidos. No centro, alguns já se permitiam dançar — nada exagerado, mas solto o suficiente para quebrar a formalidade.

Garçons ainda circulavam com bandejas impecáveis, mas agora era mais difícil recusá-los. As taças de champanhe pareciam surgir na minha frente antes mesmo que eu percebesse que precisava de uma.

O bar, iluminado em tons mais escuros, estava mais movimentado, cercado por pessoas que claramente já tinham passado do ponto do "controle elegante".

Eu não esperava por aquilo.

Estava esperando uma festa daquelas elegantes, cheias de frescuras, onde se caísse um talher, faria eco por todo o local. Aquele tipo de evento onde as pessoas fingem se divertir enquanto contam os minutos para ir embora.

Parecia que os ricos mesquinhos e esnobes também sabiam se divertir.

— O que é isso, algum tipo de rebeldia contra o próprio dinheiro? — pergunto com ironia, me aproximando e falando um pouco mais alto para que Madison pudesse ouvir.

Ela dá uma risadinha, já me guiando em direção ao bar.

— Mais ou menos isso — ela diz, se sentando em um dos bancos altos de cor preta de forma elegante e despreocupada, cruzando as pernas como se tivesse deslizado por ali várias vezes, a ponto de se tornar familiar. — O dono é muito reconhecido, mas desconhecido. Ele adora fazer festas de fraternidade ocasionalmente para poder se misturar.

Franzo o cenho, zombeteira, já sentada ao seu lado — menos elegante, mais nervosa. Cruzo as pernas para manter o nervosismo escondido e coloco os antebraços no balcão, me lembrando de manter a postura reta.

— E por que ele faz isso? Dono de máfia? Deve à rainha? Ou é um daqueles tipos de homem que se acha gostoso demais e acha que todas as mulheres o querem? — pergunto debochadamente.

Tento manter o tom de voz baixo, para que só nós duas possamos escutar. Afinal, se esse homem estiver por aqui, como vou saber quem é?

— Talvez tudo junto — Madson replica a brincadeira, mantendo o tom igualmente baixo. — Só sei que, por algum motivo, ele não é acostumado a chamar atenção e evita eventos públicos onde muitas pessoas saibam quem é.

— Hum, tímido e rico? As mulheres caem matando — ironizo com humor ácido e faço um gesto chamando o garçom, que com um sorriso animado demais, vem ao nosso encontro.

— Os mais difíceis de se achar — ela continua, me fazendo rir.

— Olá, senhoritas. Bem-vindas à Golden Gala, o melhor evento do ano. Me chamo Lucian e serei o barman de vocês esta noite. O que gostariam de pedir? — a voz saiu um pouco mais alta, mas o tom era agradável e cortês.

Quando levantei os olhos do balcão, quase perdi o fôlego.

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