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🌕 Cap. 2: As Cinzas da Antiga Rejeição

🐺 Kael Draven

Eu passei dez anos acreditando que a Deusa da Lua me amaldiçoou com o vazio eterno.

Quando herdei o posto de Alfa Supremo da Matilha Valkares após a morte sangrenta de meu pai na Batalha dos Montes Cinzentos, a primeira coisa que o Conselho de Anciãos tentou me impor, foi uma Luna de conveniência política.

Fêmeas nobres de todas as alcateias do norte desfilaram diante do meu trono de pedra, ostentando perfumes caros, linhagens puras e olhares submissos.

Mas meu lobo interior, uma fera cinzenta gigantesca, impiedosa e faminta, rosnava com desprezo para cada uma delas.

Para ele, todas eram estranhas.

Nenhuma possuía o aroma que foi gravado na minha alma quando eu ainda era apenas um jovem guerreiro.

O aroma de jasmim noturno, chuva fresca e orvalho da floresta.

O cheiro da garota que foi arrancada dos meus braços e humilhada pelo conselho da matilha como uma “aberração sem loba”, banida sob mentiras forjadas que quase destruíram a minha sanidade.

E agora, no meio da escuridão sagrada de Vargem Negra, o vento me trouxe de volta aquele mesmo perfume.

Não como uma lembrança dolorosa, mas em carne, osso, curvas perigosas e uma postura desafiadora que fez meu sangue ferver em chamas.

A mulher encurralada diante de mim, segurava uma adaga de prata com a perfeição de uma assassina profissional.

A ponta metálica perfurava de leve a pele do meu peito, fazendo arder as terminações nervosas com o veneno que enfraquecia minha espécie.

Mas a dor física da prata não era nada comparada à tempestade de luxúria e fúria que varria meu peito.

Meu lobo interior arranhava minhas costelas de dentro para fora, uivando em um delírio triunfante:

— Nossa! Ela voltou! Nossa Luna!

Olhei para o rosto dela sob a luz prateada da lua.

Os cabelos castanhos escuros caíam em ondas rebeldes sobre os ombros finos, emoldurando seus lábios carnudos e rosados, que estavam entreabertos em um suspiro trêmulo.

Seus olhos escuros e expressivos tentavam sustentar uma frieza assassina, mas a dilatação de suas pupilas e a vermelhidão intensa que subia por seu pescoço de porcelana, entregavam que o laço de companheiros estava exigindo seu desejo carnal.

— Você treme, linda assassina... — sussurrei, deixando que o rosnado grave de satisfação vibrasse em meu peito. — Está com medo de que eu rasgue a sua garganta com as minhas presas, ou está em pânico porque o seu corpo está implorando para que eu rasgue essas roupas e marque o seu pescoço sob este luar?

— Cale a boca, ... monstro! — ela cuspiu as palavras com veneno, mas sua voz falhou na última sílaba. O peito dela subia e descia em um ritmo acelerado, pressionando o corpete justo contra meu antebraço.

Com um movimento rápido e imperceptível para olhos humanos, desviei o pulso dela que segurava a adaga.

A lâmina de prata caiu sobre as folhas secas sem que ela pudesse sequer reagir.

Antes que ela desse um passo para trás, prendi sua cintura fina com meu braço esquerdo, puxando seu corpo pequeno com força implacável contra o meu quadril rígido.

O choque de nossos corpos colidindo arrancou um gemido sufocado de sua garganta.

A sensação do quadril macio dela prensado contra o meu, foi um golpe esmagador de prazer, que quase me fez perder o controle.

Ela era perfeita.

Cada curva encaixava-se no meu corpo como se tivéssemos sido moldados pela mesma matéria ancestral.

Minha mão direita subiu lentamente pela curva de sua cintura, percorrendo as costelas e pousando na linha delicada de seu maxilar, inclinando seu rosto para cima, para que ela não pudesse desviar o olhar do meu.

— Você não é uma humana qualquer enviada para espionar meu clã, não é? — perguntei, sentindo o calor febril de sua pele contra a palma da minha mão calejada. Meus polegares acariciaram o contorno macio de seus lábios inferiores, sentindo-os estremecerem ao meu toque. — Diga-me o seu nome verdadeiro antes que eu decida puni-la pelo veneno de prata que você ousou encostar em mim.

Ela cerrou os dentes, os olhos faiscando com um ódio que só os corações mais profundamente feridos conseguem carregar:

— Meu nome é Lyra Voss. E você me rejeitou quando eu não passava de uma menina assustada que a sua matilha jogou aos corvos, Kael Draven. Eu voltei apenas para ver o seu império queimar.

As palavras dela caíram como um raio no meu peito, e quando seus olhos se encheram de lágrimas de fúria, vi sob o tecido rasgado de sua gola a cicatriz em forma de lua minguante, que eu mesmo curei com meu próprio sangue, há dez anos atrás.

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