O dia da reunião amanheceu com o céu pesado sobre a Hacienda, como se as nuvens soubessem que, em poucas horas, o nome dos Villalba deixaria de ser assunto apenas de bastidores. Camila acordou antes do despertador, não porque estivesse descansada, e sim porque o corpo parecia em constante estado de prontidão desde que o laudo do perito rasgara a versão oficial da história do pai. Ficou alguns segundos deitada, de olhos abertos, sentindo o peso da barriga e o peso, ainda maior, daquilo que seria decidido em uma mesa comprida de madeira, por homens acostumados a votar de acordo com o saldo bancário.
Rafael vestia a camisa na frente do espelho quando ela se sentou na cama. O terno escuro pendia no cabide, pronto, e a gravata repousava dobrada sobre a cômoda. Havia algo diferente naquele preparo: não era apenas vaidade, era armadura. Ele ajustou o colarinho, percebeu pelo reflexo que ela o observava e se virou, trazendo para o rosto uma expressão que misturava cansaço e foco.
— Dormiu?
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