O bairro foi ficando pequeno pelo retrovisor, mas nada dentro de Camila encolhia junto. A cada esquina que a caminhonete deixava para trás, uma lembrança da casa da infância insistia em voltar, e não eram só lembranças boas: a mesa cheia de conta, a voz da mãe reclamando de tudo e, mesmo assim, repetindo que um dia a vida ia “dar um jeito”. Agora ela sabia exatamente qual “jeito” tinha entrado pela porta.
Rafael dirigia calado, os olhos fixos na rua, as mãos firmes no volante. Não tentava puxar