O bar ainda cheirava a vinho quando ficou para trás, mas, assim que o carro passou pelo portão da Hacienda, Camila sentiu o peso conhecido voltar para os ombros. Miguel parou perto da escadaria, olhou o pátio e abriu a porta para ela.
— Obrigado por ter ficado de olho em mim — ela disse. — Agora eu resolvo o resto.
Ele apenas assentiu e voltou para a guarita.
Camila subiu os degraus já sabendo que não encontraria a casa dormindo. Abriu a porta e confirmou: Rafael estava no sofá, garrafa de uísque aberta na mesa de centro, copo na mão, camisa com botões soltos, mangas dobradas. A TV ligada sem som, a luz do abajur cortando a sala, e ele ali, plantado, como se tivesse passado a noite inteira esperando.
— Gostou do passeio? — perguntou, sem rodeios.
Ela largou a bolsa na poltrona, sentindo o olhar dele percorrer o vestido preto, a barriga marcada, as pernas descobertas.
— Gostei. Foi bom lembrar que eu existo fora destas paredes.
Ele girou o uísque no copo.
— Deve ser ótimo brincar de vi