Nos dias que se seguiram à prisão de Mena, a Hacienda ficou cheia de carros, policiais e telefonemas, mas, para Camila, tudo se resumia à porta fechada no fim do corredor. Ali dentro, Rafael passava horas com Herrera e dossiês do pai dela, da Vértice, de Arturo. Ela o reconhecia pelo som abafado da voz, pelo arrastar de cadeiras, pelo cheiro de café que vazava pela fresta. A presença dele era ruído de trabalho, não toque.
Na primeira manhã, decidiu transformar ansiedade em função. Preparou uma bandeja com café e torradas, ocupou as mãos para não pensar no caminhão, em Mena algemado, no próprio sobrenome grudado ao escândalo. Bateu na porta.
Quem abriu foi Herrera.
— Trouxe café — ela disse. — Para vocês não virarem pó antes de achar o mandante.
Ele agradeceu, pegou a bandeja e já quase fechava quando Rafael surgiu atrás, camisa arregaçada, barba por fazer. Olhou rápido, como quem confere se ela está inteira, depois desviou de volta para a mesa.
— Obrigado, Camila — falou, sem se aprox