Rafael espalhou mais uma folha sobre a mesa e teve a sensação de que o escritório encolhia cada vez que um novo papel chegava. Mapas, cópias de notas fiscais, fotos de câmeras, tudo ocupava o tampo de madeira que antes servia só para decisões de preço, exportação e reunião com acionista.
Nicolás estava encostado na mesa, tablet na mão.
— Confirmação da transportadora — ele disse. — O “Hugo Mena” não entregou o caminhão, não pediu demissão, não voltou para a base. Simplesmente sumiu.
— E ninguém achou estranho um funcionário desaparecer com veículo da empresa? — Rafael perguntou.
— Eles disseram que iam registrar boletim de ocorrência hoje. — Nicolás arqueou a sobrancelha. — Parece que esperaram o caminhão aparecer abandonado para lembrar que havia um motorista junto.
Rafael respirou fundo, tentando segurar a irritação.
— O caminhão foi achado onde?
— Estrada secundária, perto de um povoado vizinho. — Nicolás virou o tablet, mostrando a foto. — Sem marcas de sangue, sem corpo, sem nada