A notícia não chegou com um tiro, nem com gritos no corredor, nem com algum conselheiro batendo à porta no meio da madrugada. Chegou em vibrações discretas no celular, em e-mails encadeados, em mensagens de voz que Nicolás foi filtrando antes de subir. Mesmo assim, o corpo de Camila pareceu perceber a mudança de temperatura do dia antes que alguém abrisse a boca para falar em assembleia, pauta, maioria qualificada ou qualquer outro termo que só fazia sentido na cabeça de advogado.
Ela acordou com o peito apertado e uma fisgada baixa no ventre, não exatamente dor, mas longe de ser o desconforto habitual. Virou-se com cuidado, tentando sair da cama sem acordar Rafael, e o mundo escureceu nas bordas por um instante, como se a visão decidisse apagar parte da imagem para economizar energia. Respirou fundo, sentou-se na beira da cama, as mãos apoiadas no colchão, e esperou a tontura passar. O menino mexeu naquela hora, um movimento forte que fez os músculos contraírem de um jeito diferente,